Arquivo de Março 2008

 
 

O que os deuses gregos sempre souberam a respeito de criatividade

Por: Gisela Kassoy

Não é incomum comparar-se a criatividade com uma planta que brota da terra. Mais freqüente ainda é a imagem da lampadinha, quase um ícone para ilustrar uma idéia. Idéias e inovações brilham, são fáceis de serem percebidas. Mas como chegar a elas? Há um lado que as pessoas e as organizações deveriam conhecer melhor que é, por enquanto, o lado misterioso do processo criativo.

O Mundo Subterrâneo

Uma semente que brota vem de um Mundo Subterrâneo. Na mitologia grega este é o Mundo de Hades, deus dos Mortos, do inconsciente, e de tudo o que se processa dentro de nós de maneira nebulosa ou incerta. Podemos dizer que o reino de Hades simboliza o inconsciente, tanto o individual quanto o coletivo. O Subterrâneo de nossas mentes é a moradia do pensamento, da memória, de nossos anseios e receios. Imagino que é neste mundo que a incubação, a intuição e as sinapses criativas acontecem antes de se tornarem visíveis.

O insight - a compreensão profunda de uma situação - ou o “a-há” de uma idéia mostra-nos quase fisicamente esse pulo de dentro para fora de nossas mentes.

Mas o mundo de fora é outro.

O Mundo da Luz

O Mundo da Luz é o reino do brilho e do poder. É também o domínio de Zeus, deus supremo do Olimpo. A construção de seu reinado foi feita por meio de conquistas, visão estratégica e alianças. Psicologicamente, o domínio do céu representa o consciente, o raciocínio lógico, a supremacia e a visão panorâmica.

Zeus, portanto, simboliza o sucesso e o controle. Pessoas que vivem esse arquétipo são estrategistas, sabem administrar riscos e tendem a ser vitoriosos. Assim são percebidas as idéias, as oportunidades e as inovações. Há um lado da criatividade que brilha, mas que não existiria sem a matéria-prima que está no subterrâneo.

Cegos de Tanta Luz

No mundo das organizações só se reconhece Zeus, onde o poder, a assertividade, o marketing pessoal e o controle são altamente favorecidos. Qualquer comportamento diferente desse arquétipo é visto com estranheza, ou pior, como característica dos lunáticos. No mundo de Zeus, tudo aquilo que não é visível não é digno de existir.

Entendemos bem os aspectos iluminados da Criatividade. Sabemos avaliar uma boa idéia, valorizamos a persuasão e a força de vontade que a implementação de uma idéia demanda. Sobretudo, amamos a certeza.

Não é de se estranhar que nossa cultura identifique o mundo de Hades, por ser incerto, como o inferno. Zeus adora o controle e, portanto, detesta tudo o que não é absolutamente preto ou branco e mais ainda o imprevisto, o desconhecido.

O Trânsito entre os dois Mundos

Quero falar sobre Perséfone, também conhecida como a Guia do Mundo Inconsciente, a deusa das estações do ano, dos ciclos e da renovação. Essa é a deusa que nos ensina a transitar entre os dois mundos citados acima. O seu grande poder é o domínio de quando e como visitar o inconsciente e como retomar o controle. Perséfone sabe buscar a sabedoria que se encontra na mente profunda e trazê-la à tona.

Pensemos, por exemplo, nos instrumentos de Geração de Idéias. O Brainstorming, um dos mais conhecidos, inicia com um livre fluxo de idéias que não deve ser interrompido e posteriormente, as muitas idéias resultantes são avaliadas.

O Pensamento Lateral convida a uma fuga temporária do pensamento lógico. Sua prática consiste na passagem pelos caminhos do absurdo antes de voltar para a trilha habitual. Devido a esses estágios, é possível obter-se idéias novas e válidas.

Synetics, outra técnica, fala em “fazer o familiar ser estranho e o estranho tornar-se familiar”. Trata-se, portanto de transportar-se de um problema, produto ou situação para um outro universo, para posterior retorno.

O que esses instrumentos têm em comum? Todos alternam momentos de fuga do pensamento tradicional com a volta à lógica e à avaliação racional.

Não seriam estes instrumentos formas seguras para fazermos pequenos mergulhos no Mundo de Hades? Controlado, permitido e com hora marcada. Portanto aceito no Mundo de Zeus.

A sábia Perséfone, como uma mãe que segura os braços de seu filho quando ele dá seus primeiros passos, criou formas seguras para retirar sabedoria do inconsciente.

As boas idéias das empresas que utilizam instrumentos como os citados são as provas vivas de que funcionam e, as empresas e institutos especializados, não param de estudar a respeito.

O pesquisador inglês Michael Kirton, por exemplo, prega a existência de uma criatividade incremental, (mais propícia às melhorias ou redução de custos) e uma criatividade inovadora, que gera idéias que rompem com os modelos anteriores

Com base nesses conceitos, O Center for Creative Leadership, nos EUA e o Battelle’s Institute, na Alemanha, realizaram diferentes estudos sobre a eficácia de alguns instrumentos de estímulo à criatividade e concluíram que os mais aplicados e aceitos nas empresas são os adequados às melhorias e que, para a inovação, seria necessária a utilização de metáforas, fantasias dirigidas e técnicas de meditação.

Eu diria, portanto, que pequenos mergulhos no Mundo de Hades trazem contribuições incrementais e que mergulhos maiores podem trazer idéias realmente inovadoras.

Muitas boas idéias partem do “e se…”, da livre especulação pelo universo das possibilidades, mas o paradigma organizacional quer nos prender à certeza dos bons resultados desde o início do processo.

É difícil conviver com a desordem e a insegurança de não saber aonde vamos chegar. Também é trabalhoso abandonar crenças e procedimentos que um dia nos foram úteis. Entretanto, desordem e revisão são etapas obrigatórias da inovação, da mudança e da aprendizagem.  Já diziam os gregos.


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Amante argentina

Por: Tom Coelho

“Os líderes de amanhã sabem compartilhar o poder, a informação e o compromisso.” (Flávio Kosminsky)

Uma das maiores dificuldades atuais das empresas está na chamada retenção de talentos. Após investirem em recrutamento, seleção e treinamento de seus profissionais, assistem a muitos deles se desligarem seduzidos que são ora por um salário maior, ora por benefícios, ora pelo status conferido pelo nome da organização ou pelo título do cargo oferecido.

Acrescente-se a este aspecto a crença propalada, em especial ao longo das últimas duas décadas, de que uma carreira de sucesso constrói-se através de múltiplas experiências profissionais em diferentes companhias.

Pesquisa realizada entre julho de 2006 e julho de 2007 pela Korum Consultoria, especializada em transição de carreira, indicou que o tempo médio de permanência em uma mesma empresa é de quatro anos, para executivos de alta e média gerência, e 2,7 anos, para supervisores e especialistas.

Lembro-me de um tempo em que o profissional confiável e competente era aquele que não passava por mais do que uma ou duas empresas até sua aposentadoria. Hoje isso é visto como sintoma de acomodação, apontando para obsolescência, aversão ao risco, falta de dinamismo e ambição.

Abomino rótulos, generalizações e paradigmas. Verdades absolutas, tidas inquestionáveis, que obscurecem o pensamento, turvam a razão. Onde está escrito que esta rotatividade de empregos é necessária ou mesmo saudável? Por que não podemos edificar uma carreira auspiciosa atuando numa mesma organização, onde conhecemos as pessoas e o ambiente, assimilamos e nos alinhamos à sua cultura, alcançamos prestígio, além de estabilidade e acúmulos salariais?

Estamos equivocadamente ensinando aos nossos jovens que uma carreira sólida demanda promiscuidade corporativa, quando o que entorpece e definha o profissional é sua estagnação. É parar no tempo, realizar as mesmas tarefas, deixar de estudar e de aprender. E isso pode acontecer mesmo pululando de uma empresa para outra.

Para alcançar o topo da hierarquia, o que vale a pena perseguir é a mobilidade horizontal, conhecendo a companhia integralmente, militando em diversas áreas, compreendendo a sinergia entre os departamentos. No caso de empresas de grande porte, há ainda a possibilidade de migrar para filiais ou outras empresas do grupo, inclusive no exterior. O fato é que enquanto houver desafios e satisfação pessoal, não há motivos para se mudar de emprego.

Todavia, se a mudança for fruto de decisão madura decorrente de falta de reconhecimento, clima organizacional desgastado, cabeça batendo no teto ou por força de proposta irrecusável, assegure-se de que, quando o entusiasmo arrefecer e a rotina se instalar, a nova empresa não se mostre uma autêntica “amante argentina”, cerceando sua autonomia, eliminando privilégios e exigindo o comprometimento que um dia você não pôde ou não soube honrar.


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Vontade é tudo na vida

Por: Narciso Machado

Acredito que uma pessoa pode sentir melhor e mais positivamente a sua vontade se formar consciência da sua força, vivendo-se diariamente por meio de decisões a atos úteis e animadores; se diariamente orientar e dirigir suas atividades; se não improvisar nunca, mas tomar resoluções definitivas, devendo por isso, definir antes e de maneira bastante clara, os seus propósitos e as suas ambições.

Existem duas espécies de vontade:

Uma, automática, que opera automaticamente, quando visa atividade com o fim de preservar a vida, protege-la ou satisfazer o ego.

A outra é a vontade facultativa, a vontade que corresponde ao nosso entendimento e opera quando a pomos em prática consciente e inteligentemente. É a que menos se emprega, porque exige esforço, decisão e que obriga o homem a despertar da indolência, da inatividade e a dedicar-se a toda espécie de atividades e empreendimentos e ainda a solução de problemas diversos.

Quase todas as grandes vitórias se devem a vontade facultativa, disciplinada. Por meio dela, o individuo persiste, resiste, luta e se sacrifica mais.

Muitos dos nossos triunfos se devem pela realização de nossos desejos, devido a vontade facultativa que nos deu força para resistir e persistir na luta até a vitória final.

Mas, voltemos a vontade automática. Uma pessoa não precisa de muita decisão para fugir de um perigo.

Instintivamente, uma pessoa procede de modo a se beneficiar com ações que tem como objetivo manter a vida.

Ninguém precisou aprender a fugir de um perigo, não precisamos de muita decisão para realizar tais atos porque eles constituem, por si sós, poderosos estímulos que nos obrigam a agir sem muito raciocínio.

Uma pessoa que procede automaticamente e sem disciplina esta sempre sujeito a grandes aborrecimentos e decepções.

Uma característica das pessoas que tem ambição e planos a realizar, é decidir com inteligência, propondo-se a cumprir sua missão do modo mais construtivo e prático, com plena consciência das grandes possibilidades da vida.

Existem certas regras que estimularão a sua vontade facultativa:

  1. Proponha a realização de determinados planos com o objetivo de conseguir resultados específicos;
  2. Firme-se na decisão de melhorar-se e superar-se. Sinta prazer em subir aos planos mais espirituais, intelectuais e humanos da vida;
  3. Exija mais de sua capacidade, aptidões e atividade, cumprindo suas obrigações com o máximo de entusiasmo e generosidade.

A vontade impulsiona você para atingir suas metas.

Vejamos uma comparação:

Você tem a frente uma ponte capaz de lhe permitir alcançar o outro lado, o lado onde se encontra o que deseja obter. Na verdade, tudo quanto desejamos se encontra no futuro ou oferece muitas dificuldades para ser alcançado.

Por meio dessa ponte, ou seja a sua vontade persistente, você pode atingir o outro lado, onde se encontra aquilo que tanto ambiciona. Para alcançar, entretanto, é necessário construir, criar ou realizar os meios adequados.

Quando uma pessoa se propõe a qualquer coisa, em cuja realização a vontade desempenha um papel saliente, faz-se necessário criar condições favoráveis e encontrar recursos que permitam atingir os fins de sejados. Tais fatores exigem muita perseverança, tempo e esforço para serem conseguidos.

A vontade se mantém ativa, enquanto se persiste em reunir todos os elementos e se prossegue a obra iniciada. Se, no entanto, o esforço construtivo é interrompido, a decisão se enfraquece e gradativamente se paralisa até perder toda a eficiência.

Podemos qualificar a vontade como uma atividade para alcançar-se qualquer coisa a realizar-se.

Geralmente não é fácil obter o que desejamos e isto nos obriga a estudar e descobrir o meio adequado capaz de nos permitir levar a efeito o que temos em vista.

Construa hoje mesmo ou pelo menos comece hoje mesmo a construir uma ponte capaz de leva-lo a conquista do que ambiciona. Para isto você precisa seguir determinadas regras:

  1. Defina exatamente, cuidadosamente, o objeto de sua ambição. Depois , certifique-se de que esta firmemente disposto a lutar por consegui-lo.
  2. Saiba que não vale a pena construir muitas pontes de uma só vez. Realize primeiro um plano, depois outro, dando preferência aos mais importantes.
  3. Persista sempre, sem desfalecimento e com inabalável decisão de transpor os obstáculos e as dificuldades que surgirem. Seja superior a essas dificuldades e a esses obstáculos.

Pense nisso, para atingir o sucesso é preciso planejar como chegar lá, ter vontade para chegar e persistência para se manter no rumo planejado.

Isto tudo, na grande maioria das vezes, só depende de você.


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