Arquivo de Maio 2008

 
 

Empreender ou trabalhar? Eis a questão…

Por: Carlos Cruz

Estava papeando com um amigo que me disse o seguinte “Eu trabalho, trabalho, trabalho e não consigo obter os resultados necessários pelo menos para pagar as contas”.

Percebo que muitas pessoas trabalham apenas para não faltar dinheiro no final do mês e conseguir sanar as dívidas. Por outro lado, conheço inúmeras pessoas de sucesso que trabalham para ter prazer, sentir-se bem e empregar seus talentos para a realização de algo extraordinário. Esses são os famosos empreendedores.

Trabalhei numa empresa em que um colega de trabalho sempre dizia: “Puxa vida, estou aqui há três anos e ainda não fui promovido, o Fernando em menos de um ano já foi promovido a gerente, mas sou eu quem mais trabalho no nosso departamento, sou sempre o último a ir embora, estou de saco cheio!”. Talvez você já tenha ouvido essa história em algum lugar.

Recordo-me do professor e sociólogo Domenico De Masi, que tem escrito na tela do seu computador a frase: “O homem que trabalha perde tempo precioso”. Quem disse isso trabalhava praticamente 20 horas por dia. Possuía mais de cinco tipos de trabalho, era professor, diretor de uma empresa, consultor, escritor de livros e artigos, entre outras atividades.

O lema do professor De Masi sintetiza a mudança do perfil do profissional da era industrial para a era da informação que vivemos hoje. Quem souber libertar-se da idéia tradicional do trabalho como obrigação ou dever e for capaz de apostar numa mistura de atividades, onde o trabalho se confundirá com o tempo livre, com o estudo, com as atividades físicas e com os momentos de descanso, conseguirá empreender com qualidade e destacar-se no mercado de trabalho.

A alavanca positiva da carreira de qualquer profissional é, sem sombra de dúvidas, a capacidade para aprender com as vitórias e com as eventuais derrotas para empreender com qualidade.

O ser humano é uma coisa só e precisa equilibrar todas as áreas da vida para criar uma jornada de sucesso. Trabalhar por prazer é diferente de trabalhar por necessidade. Quando fazemos algo buscando prazer, temos uma grande possibilidade de empreender ao invés de trabalhar e ser realizador de tarefas e observador dos mesmos resultados.

Muitas pessoas acreditam que quanto mais tempo trabalhar, mais resultados conseguirão. Isto é pura ilusão.

O sucesso na carreira está diretamente ligado à maneira como utilizamos o nosso tempo. Os gregos antigos utilizavam duas palavras para denominar o tempo: chronos e kairós. Chronos é o tempo que pode ser medido no relógio e Kairós é a qualidade do tempo. Não adianta passar horas trabalhando, fazendo as mesmas coisas. Nunca a quantidade significou qualidade, empreender é utilizar uma hora com qualidade ao invés de trabalhar oito horas seguidas fazendo o que sempre foi feito.

Diante deste cenário uma pergunta não me cala “Empreender ou Trabalhar? Eis a questão…”.

Trabalhar é ocupar-se em algum mister, ou seja, alguma profissão, esforçar-se para fazer ou alcançar alguma coisa, estar em funcionamento, empregar esforços, delinear através de exercícios físicos.

Para os gregos, trabalho tinha uma conotação estritamente física e representava toda atividade que fazia suar, com exceção do esporte. Quem trabalhava, isto é, suava, ou era um escravo, ou era um cidadão de segunda classe. As atividades não-físicas (a política, o estudo, a poesia, a filosofia) eram “ociosas”, ou seja, expressões mentais, dignas somente dos cidadãos de primeira classe.

A sociedade industrial permitiu que milhões de pessoas agissem somente com o corpo, mas não lhes deixou a liberdade para se expressarem com a mente. Na linha de montagem, os operários movimentavam mãos e pés, mas não usavam a cabeça estrategicamente. A sociedade pós-industrial oferece uma nova liberdade, a liberdade para todos empreenderem utilizando a mente criativa como ferramenta de trabalho. Ferramenta que era estritamente reservada aos aristocratas. Atualmente as grandes corporações pagam fortunas para os gurus, consultores e palestrantes filosofarem e contribuirem com a mudança mental e as estratégias organizacionais.

Você pode se perguntar: “Está bem, e o cérebro do operário, não estava empenhado em coordenar o movimento das mãos para que estas se harmonizassem com o ritmo da máquina?” Depois de algum tempo, o movimento se tornava completamente automático e a mente durante esse período ficava ociosa, permitindo aos operários salvarem-se do tédio. Nos tempos atuais o contexto mudou, mas há pessoas que continuam repetindo as mesmas coisas. No outro extremo, há os profissionais que se destacam e não deixam o tédio bater em sua porta, muito menos entrar.

Empreender é fazer acontecer, propor-se realizar algo diferente, inovador, criar uma oportunidade, ousar, dasafiar, investir, correr riscos calculados, explorar algo que já existe para formatar algo novo.

Você pode se perguntar: “Está bem, e o empreendedor não precisa trabalhar, e muito?” Claro que precisa, e principalmente necessita de tempo para inovar, ousar e empreender. O bom empreendedor é um bom trabalhador.

Na mais nova sabedoria das ações do empreendedor, tem que estar presente trabalho, aprendizado, descoberta, desenvolvimento, inovação, superação e realização.

Constato que tanto no tempo em que se trabalha, quanto no tempo vago, nós seres humanos fazemos hoje menos coisas com as mãos e mais com o cérebro, ao contrário do que acontecia até pouco tempo atrás.

Entre as atividades que realizamos com o cérebro, as mais apreciadas e valorizadas no mercado de trabalho são as que envolvem criatividade, inovação e audácia. Porque tanto as atividades intelectuais, quanto as manuais, quando repetitivas, podem ser delegadas às máquinas.

Muitas vezes pensamos que estamos ociosos, mas são nesses momentos que surgem os famosos insights, as brilhantes idéias. Uma dica importante é você sempre andar com um caderno para fazer as anotações dos seus insights. Pesquisas comprovam que a velocidade do pensamento é no mínimo quatro vezes mais rápida que a velocidade da fala, então aproveite seus pensamentos antes que eles desapareçam.

Empreender é uma jornada, não um destino. Boa sorte na sua jornada empreendedora.


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Salvando pessoas

Por: Erik Penna

Uma empresa para obter e manter o sucesso, precisa ter pessoas motivadas e comprometidas com os resultados e espírito de equipe.

Porém alguns chefes não se preocupam com “pessoas”, ou seja, não dão atenção necessária ao seu principal diferencial competitivo.

Na verdade muitas vezes esquecemos de motivar nosso grupo e nossa equipe de trabalho e isto vai reduzindo o potencial e a vontade de cada um no processo e os resultados da organização.

Um fato muito curioso que ocorre com cães americanos, nos mostra uma grande lição e indica como podemos agir nestas ocasiões.

Existem alguns cachorros que são treinados para salvar pessoas em desmoronamentos e em escombros. Eles tem um senso de percepção de vida sensacional diante de tal acontecimento.

Quando ocorre algum deslizamento ou soterramento, logo estes cães são chamados e começam a agir e encontrar pessoas debaixo da terra.

E quando conseguem realizar o feito de salvar alguém, eles ficam extremamente motivados e querem continuar procurando outras vítimas.

Mas um fato em especial chama a atenção. Quando este cachorro passa 6 meses sem salvar nenhuma vítima, ele começa a se desmotivar, enfraquecer, adoecer e muitas vezes até chega a morrer.

Os seus treinadores então para mantê-los firme no propósito de salvar vidas, simulam um acidente e colocam o cão para salvar uma suposta vitima, que ali se encontra apenas para parecer que está sendo salva pelo cão.

Antes que o cachorro adoeça por não atingir sua meta, o seu líder executa tal proeza e com isso o cão se anima muito e se motiva á continuar este trabalho por mais alguns meses.

Agora reflita se você, como treinador faz isso em casa ou na empresa diante de seus comandados.

Quando eles estão desanimados você se preocupa em provocar ou simular uma situação para que eles se sintam vitoriosos, mais felizes e motivados no trabalho?

Pense nisso e veja se não está na hora de salvar alguém…


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Você é importante para mim e eu para você!

Por: Maria Inês

Por mais que você tenha uma atuação ou se sinta isolada(o), já que sai solitariamente de casa para o trabalho ou vice-versa, sentindo o peso da responsabilidade no cargo, jamais deve sentir-se sozinho(a). Este cenário não acontece somente com os líderes, reforçando a máxima de que “o poder é solitário”. Acontece com todo mundo. Hoje, os consultórios psicológicos estão repletos de solidão a dois. Mesmo as pessoas em contato com pessoas, no meio de tantas outras, ainda se sente só. Este cenário está no mundo corporativo e nas casas, nas famílias e na sociedade. Vivemos num condomínio e não conhecemos nossos vizinhos.

No mundo corporativo, não devemos nos esquecer do que há por trás dele: uma equipe de suporte que faz tudo acontecer, desde a telefonista que atende com educação e transfere a ligação para os departamentos corretos, por exemplo, aos corpos administrativos, de logística, financeiro e de pós-venda.

Vou citar um exemplo prático: “Algumas empresas apenas se preocupam com a remuneração variável do vendedor, esquecendo-se de todo esse suporte e de que se esse time não atuar de forma sinérgica e com qualidade, nada acontecerá. Há uma interdependência entre as equipes, e é necessário investir nela. Aliás, interdependência é um dos termos mais usados no mundo corporativo”. É como na música “Eu não existo sem você”, de Tom e Vinícius:

“… Assim como uma nuvem, só acontece se chover.
Assim como o poeta, só é grande se sofrer.
Assim como viver, sem ter amor não é viver.
Não há você sem mim, eu não existo sem você.”

A arte do relacionamento é, em grande parte, a habilidade de reconhecer e considerar sentimentos à importância do outro, favorecendo ambas as partes. Esta habilidade é a base para sustentar a popularidade, liderança e eficiência interpessoal. Pessoas com esta habilidade são mais eficazes e mais criativas. Trata-se de uma das  habilidades mais essenciais para sobreviver nos grupos de trabalho e na liderança. Este cenário favorece a iniciativa, o comprometimento, a criatividade e a inovação. E na sua casa, há este cenário? Há sinergia entre o casal, com os filhos e entre eles? Será que os ensinamentos empresariais não nos ajudam como pessoa acima de tudo?

Assim sendo, a vida é negociar, o nosso papel é o de prevenir e resolver conflitos. A nossa principal característica é a diplomacia, assim como buscar uma resposta que satisfaça ambas as partes ou um grupo de interessados.

Para o nosso sucesso pessoal e profissional, teremos de ser muito flexíveis para conseguir trabalhar em equipe e relacionar-se, devemos - com freqüência - reservar algum tempo para tentar compreender profundamente os nossos problemas, acertos e erros pessoais, assim como problemas que surgem, e sair criando soluções. Para isso, devemos escutar a nós mesmos e as pessoas à nossa volta. Isto evitará a recair num erro grave na criação de soluções, ou no relacionamento, por não estar comprometido com a equipe e ela conosco, conseqüentemente sentimo-nos solitários. Em alguns casos, quando lideramos equipes, sentimo-nos sozinhos, solitários, mas isso acontece quando não conseguimos compartilhar nossas idéias.

Uma dica fundamental: Escute o outro, ele sempre terá opiniões e percepções que poderão ser úteis a você. Escute mais e, a partir daí, argumente e crie, por isso é que se têm dois ouvidos e uma só boca. A combinação uniforme dos ingredientes faz com que uma receita seja criativa, diferente e aceita por todos.

Divida suas preocupações, necessidades e formas de pensamento e, dessa forma, perceberá a diferença imediatamente.

Outro dia, estava em uma grande corporação, preparando os Gerentes e aconteceu uma cena que vou compartilhar com vocês.

“O Diretor, uma pessoa de forte personalidade e muito envolvido no trabalho, e, por vezes, na tarefa de seus colaboradores, agindo muito em função das mudanças que a empresa está passando e, por outras vezes, filtrando informações, com o objetivo de poupar seus Gerentes. Durante um determinado momento do treinamento, envolvi o grupo para soluções de problemas da própria organização. Esse Diretor expressou abertamente o cenário da empresa, suas preocupações e suas ‘inseguranças’. Foi impressionante a mudança de comportamento dos seus Gerentes na busca de soluções e na intenção de acolhê-lo diante das preocupações apresentadas. Muito interessante como o grupo reconheceu (o que já sabiam), porém não era expresso pelo seu superior e, rapidamente, abraçaram a causa como se fosse do grupo.

Antes do acontecido em reunião com ele, o Diretor manifestou sua preocupação e o sentimento de solidão na direção da organização.

Isso reforça a minha idéia de que precisamos da sua voz, das suas idéias, como você também precisa da nossa.


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