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Antes diretor, hoje moderador e estrategista!

A imagem do Diretor escolar tem sofrido variações significativas ano a ano. Algumas décadas atrás o Diretor era visto pelos alunos como “carrancudo” e “casca grossa”. Se por algum motivo o professor não aprovasse o comportamento do aluno, ele era enviado imediatamente para a diretoria onde passaria momentos “temerosos”. Receberia várias “lições de moral” e seus pais seriam comunicados, o que poderia gerar mais uma boa lição em casa (e não seria lição de moral desta vez).

Esta imagem, em sua maioria das vezes, fazia jus ao comportamento dos profissionais que ocupavam o cargo de direção, pois não possuíam preparo específico tanto para liderar professores, coordenadores e supervisores, quanto para alunos e pais. E cada um possuía um ponto de vista, experiência, necessidades e valores pessoais diferentes, exigindo assim um enorme feeling de quem era responsável pela direção escolar. Além dos diretores, muitas vezes, não terem sido preparados, também não possuíam uma rotina específica nem estrutura e recursos que colaborassem em sua tomada de decisões.

Com o avanço tecnológico os alunos têm mais acesso a informações, mas não necessariamente mais interesse por elas. Os professores não possuem mais apenas o nível técnico, mas sim superior, especialização, mestrado e outros cursos extracurriculares, além de experiência em vários tipos de organizações empresariais. A cobrança por resultados financeiros e de reconhecimento aumentaram dentro das instituições educacionais. É preciso ter mais alunos, maior resultados ou menores despesas e melhorar constantemente a qualidade de ensino e o processo de ensino aprendizagem.

Os pais trabalham mais horas durante a semana. Distanciam-se da tradição de almoçar e jantar em família e o relacionamento e educação que seus filhos adquirem é obtido através de conversas paralelas em frente à televisão ou eventuais finais de semana que passam juntos. Os pais acabam sendo substituídos por sites de relacionamento da Internet, blogs, celulares e festas de seus colegas de escola entre outros.

A família quer educar seus filhos, mas ora não tem tempo para isso, ora está fisicamente desgastada e desmotivada para dar mais atenção e participar mais ativamente da vida e educação de seus filhos, transferindo assim a responsabilidade para a escola.

Desta forma fica-se a interpretação de que a educação dos filhos será realizada na escola e que é uma obrigação dos professores. Mas valores morais, pessoais e sociais não podem ser exclusivamente dependentes das escolas. Existe um conteúdo teórico e prático que faz parte do processo de ensino aprendizagem que precisa ser ativamente transmitido, e servir de base para que o aluno construa o seu conhecimento. E este é o maior objetivo dos professores. Algumas vezes, parte deste processo colabora para o desenvolvimento social do aluno, mas e o desenvolvimento moral e pessoal? Seria responsabilidade dos professores contribuir para que os alunos construam seus próprios valores, substituindo o papel dos pais?

Alguns professores, quando sentem esta e outras carências em seus alunos, se esforçam para de alguma forma colaborar no desenvolvimento, mesmo não fazendo parte de suas atribuições profissionais. Mas como conseguirão ter sucesso se os próprios pais não têm como hábito criar esta identificação junto a seus filhos? Há casos, ainda, que professores e diretores, apesar das boas intenções em melhorar o desenvolvimento moral dos alunos que não tiveram esta base dentro de casa, foram advertidos negativamente pelos pais.

Desta forma, os diretores precisam desenvolver estratégias de aproximação e tornar pais, alunos e professores aliados. É importante que os diretores façam reuniões periódicas com os professores e com os pais. Criem o hábito de andar pelos corredores da escola durante o intervalo e conversem informalmente com os alunos de todas as séries e observem como tudo está andando bem, aproximando-se de sua comunidade.

Para as reuniões com professores pode ser criada uma rotina de feed back sobre comportamentos, destaques e dificuldades dos alunos, além de analisar o histórico comportamental, a troca de experiência do que foi feito e sugestões que poderão colaborar para melhorar os resultados entre os alunos e consecutivamente com os pais.

Após as reuniões com professores e com os pais, os diretores poderiam convidar os pais dos alunos para uma reunião, não apenas para apontar as dificuldades que seus filhos possuem, mas também para elogiá-los, informando sobre qualidades diferenciadas que podem ser potencializadas, e que os pais não haviam percebido.

Uma reunião envolvendo os pais e professores também pode vir a ser uma boa alternativa, criando assim uma integração entre eles, dando oportunidade para se conhecerem e se relacionarem, afinal, para muitos, a escola é uma extensão de sua casa.

Além das reuniões, promover eventos, festas, encontros e gincanas que interajam escola e família pode ser um grande passo em busca desta aproximação. Os pais se sentirão mais envolvidos, comprometidos e abertos às sugestões e orientações do diretor. Os professores terão mais confiança em manifestarem seus pontos de vista, devido a saberem que os diretores têm acompanhado de perto tudo o que realmente ocorre dentro da instituição.

Todos estes procedimentos não apenas melhorarão a comunicação, como também os procedimentos operacionais e confiança de todos direta e indiretamente envolvidos com o ensino.

A transparência na comunicação sempre proporcionará resultados positivos e sem desgastes desnecessários aos pais, filhos, professores e diretores.

 

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