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Planos de vôo

Por: Gisela Kassoy

A mente dos pessimistas atua como moscas. Voa atarantada, alternando percursos. Pousa em alimentos doces e nutritivos, e logo depois vai atrás de feridas, águas paradas e dejetos. Os negativistas reagem a uma coisa boa lembrando-se de críticas ou tentativas mal sucedidas, repetem sempre frases com mensagens desanimadoras.

Já a mente dos otimistas se assemelha à das abelhas: seu vôo é direcionado. Seja na busca do pólen, seja na produção do mel, as abelhas buscam benefícios para si e para as flores.

É esse estado de espírito que dá garra, ajuda na geração de idéias, torna as pessoas agradáveis aos olhos dos outros.

Você mostra um plano e ouve um ”não vai dar certo”, acompanhado de um nariz empinado? É terrível, não?

Talvez seu interlocutor apenas tentou visualizar os riscos de um projeto para evitá-los ou administrá-los. Nesse caso você vai se beneficiar com as críticas

O perigo é o pessimista crônico, aquele que tende a apontar aspectos negativos para se sentir importante, evitar o sucesso alheio porque não quer se envolver com mudanças decorrentes de novas idéias.

O pessimismo pode ser contagioso. Toda vez que a mente humana absorve uma determinada forma de pensar, ela tende a repetir esse percurso. Assim, uma crítica negativa pode desencadear uma avalanche de condenações. Da mesma forma, quanto mais pessimistas forem as pessoas de um determinado meio, mais pessimistas elas ficarão.

Felizmente, o otimismo também contagia. Idéias provocam mais idéias, pessoas motivadas geram mais motivação. Você provavelmente já viveu esse processo. Às vezes ele é interrompido pelo zumbido de alguma mosca, mas caso contrário ele só tende a crescer.

Como sua mente voa? Ela tende a se desviar de seus objetivos e pousa nas críticas como as moscas? Ou será que - como as abelhas - persegue as oportunidades, absorvendo o que há de bom e bonito do meio ambiente?

Voar como mosca, devido a algo que ocorreu ou contaminado pela influência de outros, tira a energia para a ação. A tendência é permitir que os pensamentos negativos se multipliquem seguidos pela inveja e vontade de “ver o circo pegar fogo”.

Por outro lado, cada vez que você voa como abelha, sua autoconfiança cresce. E cresce também a vontade de realizar, o prazer pelo desafio, o bom humor. Não significa que você não verá os riscos, mas sim que vai administrá-los de uma forma construtiva.

O pensamento não é incontrolável: Os seres humanos são capazes de recorrer a um diálogo interno no qual cada pessoa, ao se perceber num vôo de mosca, pode se propor a mudar para o vôo da abelha .

Esse procedimento é chamado de meta-pensamento, ou seja, pensar sobre como pensar.

A maioria das pessoas acredita que andar, falar ou pensar são manifestações totalmente espontâneas. Na verdade, são hábitos aprendidos e apreendidos e, como tal, podem ser modificados.

Em minha prática com direcionamento mental, presencio resultados rápidos e permanentes. Basta um pouco de técnica e a conscientização constante dos rumos que a mente está tomando.

Você domina seus pensamentos. Prefere mosca ou abelha?


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Procuram-se idéias II – O turismo criativo

Por: Gisela Kassoy

Você conhece a “caramanhola”, aquela garrafa feita para ciclistas? Sua tampa não precisa ser aberta ou fechada, permitindo que a água seja bebida mesmo com a bicicleta em movimento. Além disso, o líquido nunca escorre e nem suja, pois o recipiente fica vedado. Pois bem, essa garrafa segue os princípios de uma válvula cardíaca, e funciona da mesma forma que ela.

Soluções criadas para outros universos são fontes inesgotáveis de idéias inovadoras, pois obrigam a quebrar paradigmas. Chamo isso de turismo criativo, a busca de inovações e soluções em universos diferentes.

Mais próximo ao foco estão as pesquisas junto a clientes, usuários ou usuários potenciais.

Pessoas que adotaram produtos e serviços e que darão indícios que poderão resultar em idéias revolucionárias. Mas não adianta pesquisar da maneira convencional. Perguntas tradicionais obterão respostas igualmente tradicionais e nem sempre verdadeiras.

Normalmente esses públicos possuem uma vaga noção de suas ambições e do que os incomoda… É melhor observar do que perguntar. Você saberia dizer quais são suas expectativas em relação ao cabo de uma escova de dentes? Foi observando seu uso que os designers da IDEO chegaram a um cabo mais grosso e mais confortável para as mãos dos usuários.

Atuo junto aos clientes visando buscar formas não lineares de obter informações, seja observando o comportamento dos usuários presencial ou virtualmente, seja analisando seus lixos, suas casas ou ainda provocando situações nas quais eles estarão usando o produto ou serviço.

Já os lead users, pessoas que adotaram produtos e serviços com entusiasmo podem ter até idéias prontas, e com certeza os indícios serão inúmeros. O papel de quem quer inovar é estar entre eles e dar espaço para que eles troquem as informações de interesse. Blogs, comunidades de prática, encontros presenciais são fontes excelentes. O importante para conhecer os desejos dos clientes e estar aberto para se surpreender.

Num nível um pouco mais distante do foco estão as soluções análogas. Este nível é mais recomendado para o desenvolvimento de produtos. Por exemplo, a 3M obteve dados importantes para a confecção de pele artificial para enxertos conversando com maquiadores da Broadway. Evidentemente, a idéia do maquiador não caiu do céu. Foi pensando no problema em questão e buscando sistematicamente profissionais que poderiam ter algo a contribuir que a 3M chegou nele.

Propositalmente distantes do seu foco estão a arte e as vivências ou visitas necessariamente fora da zona de conforto de quem quer inovar. Ao sair da rotina, as pessoas aprendem com o diferente, pois obtém novas informações, quebram paradigmas, estimulam a curiosidade. As artes, pessoas que atuam em profissões exóticas, sites diferentes são fontes inspiradoras. O foco não está sendo desprezado, mas sim servindo de atalho para chegar a idéias originais. O Estímulo Aleatório, uma das mais populares técnicas de geração de idéias criada por Edward de Bono, utiliza justamente a associação da situação a temas não relacionados para provocar alternativas diversificadas.

Comece sua busca já. Passe a observar o mundo com olhos ávidos. Einstein dizia que não dá para resolver um problema com a mesma atitude mental que o criou. É quase tão difícil quanto inovar olhando apenas para o que já foi criado.


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Procuram-se idéias

Por: Gisela Kassoy

Onde estão suas idéias?

Dos programas de sugestões aos sistemas de idéias, das equipes multidisciplinares aos empreendedores corporativos, as empresas não param de criar formas de obter idéias de seus colaboradores. Faz sentido: elas são necessárias para reduzir custos, para trazer soluções, para inovar.

E você sabe o quanto será valorizado se oferecer boas propostas.

Mas talvez você ignore como obter essas idéias. Em meu trabalho com criatividade e inovação, reuni algumas diretrizes que podem ajudá-lo em sua busca. Aproveite!

Olhe para dentro

Preste atenção aos detalhes – Eles tendem a passar desapercebidos, mas são preciosos, principalmente quando buscamos melhorias e redução de custos. Veja um bom exemplo de uma companhia aérea: ela suspendeu o Martini durante os vôos matinais ao perceber que poucos passageiros o pediam nesse horário. Foram eliminadas, portanto, as azeitonas, que, além de perecíveis, exigiam um espaço extra na geladeira. Parece pouco, e, de fato, é, mas gera uma economia de milhões de dólares em um ano.

Conheça melhor o seu negócio – No livro Ideas Are Free (Idéias são de graça, tradução livre), os consultores norte-americanos Alan Robinson e Dean Schroeder dão um belo exemplo de como funcionários de uma instituição para pessoas idosas tiveram boas idéias para atender os residentes depois de estudarem sobre o Mal de Alzheimer. Os portadores dessa doença costumam perambular sem destino e – no caso citado – acabavam indo para a cozinha ou lavanderia, lugares potencialmente perigosos para eles. Ao descobrir que esses pacientes evitam pisos escuros, pois os confundem com buracos, os atendentes optaram por pintar o chão de preto nas áreas onde os pacientes não deviam entrar. Assim, estude, pesquise, saiba mais, muito mais do que o seu know-how específico.

Pesquise problemas – Problemas são fáceis de detectar, pois eles estão à mostra. Entretanto, para criar soluções é preciso vê-los com um espírito construtivo, com vontade de resolvê-los. Como os problemas tendem a afetar muita gente, todos serão gratos.

Olhe para fora

Observe as exceções – É bem provável que por trás de uma exceção haja um problema a ser evitado ou uma oportunidade a ser aproveitada. Por exemplo, uma solicitação diferente de algum cliente pode indicar um novo nicho de mercado.

Busque idéias em outros universos – Quantas boas idéias, quantas inovações de fato lucrativas se podem ter trazendo idéias já consagradas de outros segmentos? A Springer Carrier, por exemplo, inovou sua estratégia de marketing trazendo do mundo da decoração a idéia do show-room .

Consulte outras pessoas – Para um bebê, ver seu pai sair voando é tão natural como vê-lo acender a luz. Pessoas não oriundas do seu ramo de atividade não sabem o que é possível ou não. Assim, podem dar sugestões novas, questionar velhos paradigmas ou dar idéias de fato inexeqüíveis, mas que contêm partes que podem ser aproveitadas.

Ouça os clientes - Nem sempre eles darão idéias prontas, mas com certeza darão muitos indícios sobre suas necessidades. Esteja atento.

Ter idéias não é difícil, nem toma tempo. Basta acreditar no seu potencial e estar alerta.


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