Da minha janela

Por: Gilberto Wiesel

Da minha janela, neste momento, consigo espiar o meu próprio passado. Nele, acesso lembranças agradáveis de um tempo que ficou para trás mas que, as vezes, me abraça gentilmente. Eu permito esta liberdade que o passado tem comigo, este vai-e-vem é matéria-prima para meus devaneios e, sobretudo, me certifico de quão feliz também fui.

Reconheço que a felicidade é minha companheira antiga. Ela é como minha pele que me cobre, que me protege das intempéries do tempo. A felicidade me envolve, me espera me respeita. Ela se retira vez por outra, dando-me o direito de também sentir tristeza. É como se ela soubesse o benefício que os sentimentos doloridos nos trazem. Ela não se importa, ela espera.

A felicidade é como um anjo bom que não interfere no meu aprendizado, ao contrário ela divide seu espaço de uma forma totalmente desinteressada. Não digo que ela é inconstante porque eu também o seria. De maneira nenhuma! Estou afirmando que ela não é pretensiosa nem exclusivista.

Sinto a minha felicidade desapegada, extremamente madura. Em função disso, seremos ligados eternamente. Diante de uma situação difícil, ela se ausenta retornando tão somente quando eu estiver em condições reais de recebê-la. O que me conforta é que a cada convite meu, a felicidade me abraça.

Assim, da minha janela consigo espiar o meu futuro. Meus devaneios sinalizam o quanto seguirei me relacionando bem com todos os sentimentos, alegres ou tristes, que experimentarei ao longo desta vida.

Por isso, eu permito que o meu futuro me seduza, pois sei que é lá que passarei a maior parte do meu tempo.

A felicidade é minha companheira permanente. E pode ser sua, basta querer.

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