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Lecionar é para os apaixonados

Atuar no ensino é para poucos. A meu ver o fator de maior relevância para a atuação na área da educação, vai além das habilidades e competências, experiências profissionais e cursos extracurriculares e de especializações dos quais participamos no decorrer dos anos.

É preciso ser apaixonado! Apaixonado pela nossa atuação, pela oportunidade de também aprender com os alunos, pela possibilidade de estar colaborando para o progresso de uma região, estado ou país e principalmente pela satisfação em fazer parte da vida de pessoas que contam com nosso conhecimento, empenho, apoio, compreensão e dedicação para se realizarem, atingirem seus objetivos e sonhos, conseguindo dar um passo mais à frente e mais firme em busca de sucesso.

Acredito nunca ter sido um bom aluno. Sempre (como a maioria) fui mais empenhado nas disciplinas com as quais me identificava e com os professores mais atenciosos e carismáticos. Prova disso é minha mãe um dia ter observado: “Filho, quem diria que você viria a ser professor e coordenador universitário, e se identificaria tanto com essa atividade, sendo reconhecido constantemente pelo seu trabalho!”.

Não foi uma crítica e sim um excelente elogio. Afinal, ela me conhecia (e me conhece) muito bem. Com certeza devido às outras atividades profissionais que desempenhei durante minha vida, nos mais variados segmentos e cargos e posteriormente tornando-me empresário, consultor empresarial e palestrante, quando tive a oportunidade de dar mais de uma centena de palestras e treinamentos, identificando-me perfeitamente com quem estava do outro lado, tivesse dez, vinte ou oitenta anos de idade. Os olhos brilhando, sorrisos, gargalhadas e os cumprimentos e agradecimentos recebidos foram sempre uma grata recompensa.

E lecionar não é fácil. Dedicar horas desenvolvendo aulas e não apenas repassando teorias, mas transformando a história e as informações em conteúdos cativantes e criativos nos mantém atualizados, vivos e reconhecidos.  É cansativo, mas gratificante!

Corrigir trabalhos, lendo palavra por palavra, entendendo a visão dos alunos e analisando e compreendendo o perfil de cada um é como realizar um jogo de palavras cruzadas onde cada assunto a ser analisado expõe uma característica do autor. E cada aluno é especial, diferente, exclusivo. Pena que muitas vezes (muitas mesmo) alguns alunos apresentem trabalhos com características e pontos de vista exatamente iguais aos da internet (para não dizer plagiados), por terem a esperança de que não iremos notar tais fatos.

Entendo que não podemos recriminá-los totalmente, pois se tomam essa atitude é porque em algum momento faltou a nossa participação e a de colegas que realmente não acompanharam o desenvolvimento das atividades, das idéias e dos sonhos desses alunos. Assim, alguns, considerando que não terão nenhum feed back sobre o que desenvolveram, entregam qualquer coisa que encontraram. Obviamente, há outros que apresentam qualquer coisa porque nem sabem o que é para ser entregue…

Faço questão de acompanhar e incentivar inclusive a minha filha de quatro anos, nas lições de casa. Coisa simples, de Jardim da Infância. E ela me fez lembrar algo que eu já havia esquecido. Um dia, logo que retornou da escola no final da tarde e antes de eu ir à Faculdade, fui acompanhar a lição dela. Depois que fez os recortes e organizou as letrinhas, foi colocar seu nome. Estranhamente, começou a escrever o nome de trás para frente, coisa que nunca havia feito. Tentei orientá-la explicando que não era daquela forma e ela insistia. Depois de umas duas ou três tentativas de orientá-la, de uma maneira frustrada e choramingando ela me disse: “Você não me deixa fazer do jeito que eu quero”.  Talvez em um primeiro momento pensemos: “É obvio, estava errado escrever de trás para frente, então tinha que corrigi-la”. Mas não é esta a questão. O fato é que não lhe dei a oportunidade de fazer o que queria e errar e aprender com o próprio erro. Ela sabia escrever o nome certo e talvez quisesse provar a si mesma que conseguia também escrever de trás para frente.

Ser apaixonado pelo ensino é aceitar que tudo o que conhecemos é pouco perto do que podemos vir a conhecer, e que sempre somos desafiados a aprender. É ser flexível e compreender que além do conteúdo há uma essência a ser assimilada, e que há pessoas interessadas em ainda mais informação. Alguns alunos são mais interessados que outros, mas o desinteresse não é pela disciplina ou professor e sim pela falta de informação de quanto a matéria, seja ela qual for, será responsável pelos momentos mais preciosos de sua vida e que agregarão condições de torná-los ainda mais aptos para os novos desafios que o esperam.

Uma disciplina não é “chata” e sim mal trabalhada. Um professor não é “ruim”, mas está precisando se apaixonar por sua atividade, local de trabalho e disciplina que desenvolve, pois como diz o ditado: “Só o amor constrói”.

Então, para conquistar seus alunos e interlocutores em palestras e treinamentos, lembre-se de ser um eterno apaixonado.

 

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