Propaganda cheira?
Por: Gilclér Regina
Você já viu propaganda cheirar? Bem, algumas cheiram. É o caso do perfume que a promotora borrifa na sua mão no shopping e sua mulher sente quando você chega em casa e você diz que é propaganda.
Mas em geral as propagandas não cheira, por ser dificil usar aromas nas mensagens.
Na propaganda impressa é possível usar tinta aromática ou cápsulas microscópicas que são ativadas quando o papel é esfregado com a mão. O Wall Street Journal já oferece esta possibilidade aos anunciantes.
Já vi jornal no Brasil anunciando bolo, doce, perfume e até café, todos com aroma.
Por outro lado um jornal britânico anunciou que sua edição tinha sido impressa com tinta perfumada e milhares de leitores levaram o jornal ao nariz naquela manhã de primeiro de abril.
Nos cinemas as poltronas sempre cheiram a pipoca, mas nos aviões é comum sentir um cheiro diferente vindo da poltrona ao lado.
Já imaginou o filme que você está assistindo, soltando um cheiro de flores na cena do campo e de comida na cena da cozinha. O problema é o cheiro de gorgonzola da cena do aperitivo ainda no ar quando chega a cena do beijo.
A NTT Communications desenvolveu uma tecnologia para aparelhos eletrônicos exalarem fragrâncias usando cartuchos como os das impressoras, só que com essências.
Neste caso você já pode mandar um torpedo pelo celular e o destinatário sentir o cheiro quando um código na mensagem ativa o respectivo aroma no celular do receptor.
Mande uma mensagem às seis da tarde de dentro de um “busão” a quarenta graus e sua namorada nunca mais vai querer saber de você.
A propaganda pode usar tecnologias assim, mas não sem riscos. Ao contrário da visão, o olfato costuma acionar um tipo de memória sensorial que dá acesso a lembraças que podem ser tanto boas como ruins.
A foto de uma casa de campo numa propaganda não tem o objetivo de resgatar uma casa igual de seu passado, mas de fazer você desejar um lugar assim no futuro. Você nunca viu a casa da foto antes.
Porém, se a foto vier acompanhada de cheiro de mato, isso trará à tona uma experiência gravada em sua memória sensorial. Pode ser boa, mas pode também ser a lembrança da noite que você foi obrigado a dormir no mato com o carro atolado.
Isso não significa que uma venda não possa apelar para todos os sentidos. O comprador de um carro tem sua visão atraída por suas linhas, o tato estimulado pela maciez do assento e a audição impressionada pelo ronco do motor. Ou pelo seu silêncio, se o comprador for meio surdo.
Cabe ao vendedor explorar tudo isso. Mas se durante a venda seu olfato sentir o cheiro de um cafezinho sendo feito na hora, sabemos que ajuda muito. O cheiro? Nem preciso dizer que cheiro de tudo que é novo é bom, seja café, carro ou banheiro limpo. Esse cheiro é um dos grandes aliados de quem vende.
Conheço até alguns que colocam pneu novo dentro de carro velho e deixam um dia inteirinho no sol quente… Quando o comprador entra no carro o vendedor diz: “Tá cheirando igual novo”.
Propaganda cheira? Pelo menos, lendo esta mensagem você vai pensar no assunto.
Um forte abraço e esteja com Deus!
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5. dezembro 2008 - 08:46
Muito interessante o artigo. Parabéns! Como publicitária sabemos da importância de tentar inovar nos diferentes tipos de mídia e publicidade para atrair o cliente de um jeito diferente e, o mais importante: que marque.